Top 10 maiores mitos do Mountain Bike

(Foto de capa: Adventures in Mountain Biking)

Mitos do Mountain bike: Há uns dez anos tudo no Mountain Bike era mais simples. Aro era 26, freio era V-Brake, Strava ainda nem sonhava em existir. Porém nosso esporte evoluiu muito em todas as áreas desde então e essa enxurrada de informações novas que foram agregadas ao esporte causam muita confusão e geram vários mitos.

Hoje vamos ver alguns e mostrar o porque eles podem não fazer tanto sentido assim

1- O mito do “Aro 26″ não presta”

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Mito! A eterna discussão de qual tamanho de aro é melhor quase sempre termina com alguém dizendo “aro 26″ nunca mais, não presta”.  Essa constatação pode ser bastante equivocada.

A dirigibilidade e a facilidade em realizar curvas mais técnicas faz da aro 26″ uma excelente opção para quem busca pedalar em traçados mais técnicos, como o all mountain / enduro e o downhill – modalidade que muitos profissionais ainda usam a 26″ para correr.

No final das “vantagens”, com a febre da 27,5″ e 29″, há excelentes barganhas por aí. Pode-se encontrar pechinchas incríveis de quem está desesperado para se desfazer da sua 26″. E isso pode se tornar um ótimo negócio. Então vamos com muita calma antes de dizer que a 26″ não é boa pra ninguém.

2- “Aro 29 é só pra gente alta”

Mito! O outro lado da moeda também é um grande equívoco. Há ciclistas mais baixos que se adaptam perfeitamente a uma aro 29″. É tudo uma questão de estilo, de onde o ciclista costuma rodar com mais frequência e também de sentir o que tem mais a ver com ele.

Lembrem-se: Há 5 anos era muito raro encontrar ciclistas com a 29″, o que mostra que o assunto é bem recente. Com o passar do tempo, e quanto mais experimentarmos tamanhos diferentes, podemos chegar a conclusão de que nenhuma roda é “perfeita”. A ciência do mundo da bike evoluirá muito até lá e talvez nos ofereça respostas mais concretas.

3- “Pra calibrar é só olhar na lateral do pneu e ver a pressão mínima”

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Mito! Nenhum fabricante poderia escrever aquilo achando que iria antender a todos os mountain bikers do mundo. Aquela é uma mera sugestão.

Obviamente que a pressão máxima deve ser obedecida. Mas quem usaria 65 libras, por exemplo, para pegar uma trilha? E qual é então a pressão ideal para você em seus pneus? Confira a calculadora de pressão de pneus de mountain bike desenvolvida aqui no Aventrilha e descubra

4- “Pra perder peso com o mountain bike tenho que sair com agasalhos e passar calor”

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Mito! Esse na verdade acontece em boa parte dos esportes de rua. Não é raro ver ciclistas todo agasalhados mesmo num sol esturricante. Nenhum tipo de gordura é eliminado por meio da transpiração! O que se perde no suor é somente água e sais minerais e, a não ser que você esteja mesmo pedalando num frio intenso, como os caras da foto, deixe o casaco em casa.

Nosso corpo gasta grande parte de sua energia só para se manter aquecido. E essa energia provém dos alimentos que ingerimos. Dessa forma, um dia frio é muito mais propício para se exercitar e perder peso que um dia quente munido de um casaco. Usando agasalhos você só estará dificultando a perda de peso.

E pior, estará também favorecendo um quadro de desidratação pela perda excessiva de líquidos e sais minerais.

5- “O taquinho da sapatilha tem que ficar todo para frente”

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Mito! Dos graves. É muito fácil encontrar ciclistas pedalando quase com os dedos do pé, tamanho o desajuste dos taquinhos na sola da sapatilha.

Usar o taquinho no lugar errado é um dos fatores que mais comprometem toda sua posição na bicicleta: Um taquinho muito avançado leva o ciclista a se sentar na parte de trás do selim, o que ajuda a ocasionar as famosas “dores na bunda” e também pode, a longo prazo, tornar suas pernas e pés mais propensos a lesões.

Certamente um dos piores mitos do mountain bike de nossa lista. Confira aqui se seu taquinho está a posição errada e veja como ajustá-lo.

6- “Quem pedala clipado tem que puxar o pedal pra cima, não só empurrar pra baixo”

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Mito! Esse já não é tão recente.

Desde a introdução e popularização dos pedais Clipless – graças em grande parte ao sistema SPD desenvolvido pela Shimano – muito se discutiu que para ter mais potência, deveria-se puxar o pedal para cima com a ajuda do pé clipado para produzir mais potência.

Há muitos estudos científicos mostrando que essa “puxada” não provoca nenhum ganho ao ciclista. Eles foram muito combatidos no início, mas hoje se tornou carta fora do baralho a ideia de que a puxada deve ser implementada no pedal.

Há um ótimo artigo no site RoadCyclingUK detalhando o porquê que a “puxada” não deve ser feita.

E ATENÇÃO! Antes de dizer “mas eu pedalo puxando e me ajuda sim”, estamos falando de provas científicas de que o Upstroke (pedalada pra cima) não agrega em nada na eficiência da sua pedalada. Vamos com calma, hein!

7- “Tenho pernas compridas, preciso de um pedivela mais longo”

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Mito! Pra começo de conversa: No nível da grande maioria dos ciclistas amadores de mountain bike – e eu estou me incluindo nessa – uma diferença de 5mm entre um pedivela 175mm ou 170mm dificilmente será notado. Estamos falando de uma diferença que é significativa só no mais alto nível de performance.

Só para se ter uma ideia, isso aqui são 5 mm em escala real:

Capture Top 10 maiores mitos do Mountain Bike

Em segundo lugar, não há absolutamente nada cientificamente comprovado de que o comprimento da sua perna é que dita o comprimento do seu pedivela. Pelo contrário: Estudos mostram que cada pessoa tem um biotipo que possui partes na perna mais potentes que outras e que seriam mais ou menos beneficiadas por um pedivela mais longo.

Quando se fala de corpo humano nem tudo é tão exato. Está curtindo o artigo? Então curta a página do Facebook Também!

8- “Devo raspar as pernas”

Mito! Bem, de fato você ganha sim um pouco de aerodinâmica ao pedalar sem pelos, que é o que mostra um vídeo da Specialized feito no túnel de vento da fabricante. A conclusão que eles chegaram é de que um atleta pode economizar até 70 segundos ao longo de 40km pedalando numa posição de contra relógio.

Mas vamos concordar:  Ao passo que 70 segundos em 40km num contra relógio no Tour de France pode ser uma eternidade, para nós, amadores – e do mountain bike – talvez não faça diferença alguma.

Outros argumentos do “pró-raspar” envolvem a facilidade das pernas serem massageadas e o fato de ferimentos decorrentes de quedas se curarem mais rapidamente.

Mais uma vez: Quantos aqui tem o luxo de serem massageados por um profissional nos treinos ou nas corridas?  E quantas vezes um machucado infeccionou pois tinhamos pelos e esquecemos de raspar?

 9- “Mulheres devem comprar bicicletas especiais para mulheres”

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Mito! Ok, se você realmente gosta do estilo do quadro e a pintura que ele leva, vá em frente e compre a bike. Porém as especificidades das bikes para mulheres param por aí. Não há nenhum motivo para acreditar que o corpo feminino precisaria de uma geometria diferente no quadro do corpo masculino.

A única peça de toda a bike que de fato deve ser comprada pensando no gênero do ciclista é o selim. Alí sim temos diferenças anatômicas que valeriam levar em conta. De resto, não caia nessa: Bike para mulher é só o look e ponto.

10- “O tamanho do meu quadro depende da minha altura”

Mito! Talvez o maior de todos da lista e o mais grave. O tamanho do quadro tem sim a ver com sua altura… e uma porção de outros fatores, como altura do cavalo (distância entre o chão e sua virilha) e comprimento dos braços.

A medida principal ao levar em conta quando se compra uma bike é o Top Tube Efetivo  ou  Top Tube Horizontal do quadro, que é a distância exibida na figura.

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Fato é que realizar um bike fit pode ser um upgrade muito mais valioso que comprar um novo câmbio traseiro XT. E caso você não deseja gastar dinheiro com isso, pode fazer um bike fit online através do site da Competitive Cyclist. É em inglês mas as fotos são muito intuitivas e há videos demonstrativos também. Realizei meu fit por lá e descubri que mesmo tendo 1,80m de altura meu quadro deveria ser o 17.

Há opiniões que sugerem que algumas outras medidas devem ser levadas em conta ao escolher seu quadro, como o chamado Stand Over Height ou o comprimento do Head Tube. Porém se você tiver que usar somente uma medida para escolher seu quadro, escolha pelo Top Tube Efetivo/Horizontal


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  • Leonardo LEOZERA Fernandes Ribeiro

    Parabéns Fernando!!!
    Ótimo texto…

  • Jorge

    Legal, muito proveitoso

  • Daniel

    Tenho que discordar da 9. Mulheres em geral tem ombros mais estreitos, logo precisam de guidões mais estreitos; na média tem estatura menor e cavalo menor, logo precisam de quadros desenhados pras proporções de um corpo feminino. Com certeza existem mais peculiaridades que diferenciam um quadro masculino de um feminino, mas não lembro no momento.
    A 2 também é questionável, uma pessoa muito pequena vai se adaptar melhor a rodas menores, e é bem provável que a geometria do quadro fique melhor com uma 27,5 ou 26 tambem.

    • Fala Daniel! Recomendo que você leia o seguinte artigo: The Womens Mountain Bikes Scam.
      http://www.icebike.org/the-womens-mountain-bikes-scam-why-you-should-not-buy-a-womens-mountain-bike/

      Sobre o comentário em relação a dois, então a recíproca deveria ser verdadeira, de tal modo que ciclistas altos deveriam andar com aros 29. Talvez ciclistas ainda maiores, com 2,10m deveriam andar com uma aro 31?

      Tamanho corporal não se relaciona com tamanho das rodas. O quadro sim.

      Forte abraço!

      • Marcelo Faraway

        Fernando, existe uma questão da limitação da geometria em relação a quadros muito pequenos com rodas 29. Não há como manter a geometria “race” (ou executar configurações de um bikefit) para uma pessoa de estatura baixa numa bike aro 29, simplesmente porque o tamanho da roda não vai permitir que se abaixe muito a frente da bike, impedindo uma relação de altura selim – guidão ideal. Em full-suspensions ou bikes com muito curso de amortecimento na dianteira o problema se agrava ainda mais, a ponto de alguns fabricantes não produzirem quadros tamanho “S” (small) para alguns modelos de bikes aro 29. Era o caso da Tallboy há bem pouco tempo atrás, por exemplo.
        No mais, parabéns pela matéria!

  • carlos staachs

    Muito bacana esse artigo fernando, sou ciclista aventureiro tambem, e praticamente todos esses 10 detalhes estao corretos, mtos mitos a serem quebrados

  • Geil Luis Oliano

    Muito bom seus anúncios sobre as bikes.

  • MAURICIO ANDRADE

    Fernando no caso da puxada para cima apesar de todos os artigos científicos acredito que ela agregue sim no MTB. não em aumentar potência que é o que normalmente trata estes artigos e sim na pedalada redonda. Numa subida de barro íngreme por exemplo é muito fácil destracionar a roda traseira e cair se pedalarmos normal, pois há um gap de potência entre uma pedalada e outra. já se puxarmos eliminamos o gap e diminuímos a chance de queda. é uma questão de experimentar!

  • Rafafel

    Ótimo! Precisamos de mais ponto de vista “amadores” como o seu evitando direcionar o ciclista comum ao equívoco de que ele precisa de mais pra ser melhor.
    Canso de ver textos com o intuito de “lavagem cerebral” aos ciclistas amadores, dizendo que bike de verdade tem que ser carbono ou suspensão a ar e se não for com um câmbio XTR é melhor nem gastar dinheiro… A mídia quer vender e as pessoas são levadas ao erro de que ela não será nada sem um equipamento de ponta, esses sim direcionados a uma mísera porcentagem do público que é profissional ou semi.
    Vejo muita gente se preocupando com peso da bike e conjunto top para a mesma sem sequer utilizar tudo o que um equipamento desses pode oferecer. Pessoal esquece a diferença entre profissional e amador.

    • Concordo c o rafael.
      Pessoas se endividando pra ter o mais top do mercado enquanto que o TREiNO que seria o ponto vital e não é.
      Cada gramas que se tirar da bike é muito mais $$ gasto, enquanto que q o atleta amador come que nem um cavalo e ta sempre gordo.
      Aqui em Tijucas/SC tem o Frank e o Pexero, ambos correm c aro 26 e tão sempre no Podio.
      Treino, treino e treino.

  • Daniel Machado

    Antes de mais nada, muito bom o texto, realmente são muitos mitos, alguns eu diria que não são mitos e sim diferenças irrelevantes! com as abaixo

    Eu questionaria “em partes” a questão referente ao tamanho do pedivela.
    em partes por 2 motivos:
    * o mito trata dos tamanhos das pernas
    * São apenas 5mm de diferença (quase nada)

    Mas, no meu entender, a “grande” diferença entre os tamanhos dos pedivelas, seria o tamanho da alavanca, com 5mm a mais, faria menos força, certo? O quanto de menos força? praticamente nada, mas mesmo que quase nada, ainda é menos força!

    …Penso que seja, mais ou menos a mesma lógica da perna raspada, a diferença pode ser mínima, mas ainda é diferença.

    Quanto a todas 26 e 29, acho que num dá pra analisar completamente, somente pelos tamanhos das rodas, tem de levar em consideração a quantidade de dentes da relação, pois uma roda menor, com pedivelas, com poucos dentes, ficaria prejudicada na velocidade final, certo? por exemplo: uma bike 26 com uma relação 1×10 com a coroa de poucos dentes e menos rápida (precisa girar mais) que uma 29 com a mesma relação certo?

    • PATRICIA CRISTINA LIMA DA COSTA

      Verdade,eu vi esses equívocos nesse texto.

    • nao esquecendo que “perna raspada”nao e o caso de infecçao do machucado,mas tambem na hora de trocar curativos,faz sim muuita diferença…

  • Zé Marcos

    Gostei demais do artigo, muito esclarecedor!

  • Guilherme Mendes

    Muito boa a reportagem. Já li vária sobre o assunto e essa foi uma das melhores, parabéns Fernando.

  • Adriano Rech Broilo

    Quanto a puxada há um grande equívoco…. para ter uma pedala fluida é necessário ter o controle de todo o ciclo, e aí que a “percepção” da puxada pode ser confundida com a estabilidade do movimento…. conduzir a perna, manter o controle do movimento propicia economia de energia e mais eficiência técnica… é como a braçada na natação, conduzir o braço fora da água não vai contribuir na propulsão, mas melhora o controle refinando a técnica… e quem domina a técnica aproveita melhor a força….

  • Sempre que faço bike fit on line tenho a impressão que sou anormal. O tamanho do top tubo efetivo pra mim dá resultado sempre muito além da geometria das bikes que pesquisei, ou seja, 69cm.

  • a1970

    No exemplo do tamanho do pedivela, exemplificado pela régua, o valor nao seria o dobro? 5mm de cada lado, portanto seria 10mm. Isso faz diferença sim.